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terça-feira, abril 29, 2014

Mia Couto e seu colar de miçangas incomuns

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Mia Couto e seu colar de miçangas incomuns

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Escritor moçambicano conta que tece novos mundos substituindo eurocentrismo e ciência-absoluta por aposta em seres múltiplos, pós-valor e olhar não-cartesiano
Entrevista exclusiva a Rôney Rodrigues
Nu e cru, eis o fato: Mia Couto cola miçangas. Com sua fala macia, vai compondo as palavras, devagar, com esmero, e sem que nem mesmo percebamos o fio articulador, está pronto um “colar vistoso”. “Assim é a voz do poeta”, explica em um texto. “Um fio de silêncio costurando o tempo”.
E o escritor moçambicano já costurou muitos fios em seus 58 anos. Escreveu 23 livros, traduzidos para seis idiomas e publicados em mais de vinte países. Em 2013, venceu o Prêmio Camões – o mais importante da língua portuguesa – e o Prêmio Literário Internacional Neustadt, considerado o Nobel norte-americano. Biólogo de formação, Mia Couto também dirige uma empresa que realiza estudos de impacto ambiental em Moçambique e é professor de ecologia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
Antes que a entrevista comece, neste 14 de novembro de 2013, ele me conta um pouco de seu último livro, “Cada Homem É uma Raça”. “O título é tirado de um diálogo que eu imaginei; um diálogo entre a polícia e um vendedor de pássaros”, explica. “A polícia pergunta para esse vendedor qual é a sua raça. ‘A minha raça sou eu, João Passarinheiro.’. Explique-se melhor, disse a ele o policial. E ele disse: ‘minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia’.
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Enquanto toma um gole de café, queixa-se que seu relógio biológico está desregulado, afinal o fuso horário de cinco horas entre Moçambique e Brasil ainda o abate, embora as viagens sejam costumeiras. Cansado então? “Não, agora já estou acostumado”. Não acreditei. Mas não precisamos acreditar em tudo, não é verdade?
PARTE UMIsso que se chama realidade
Uma vez você disse que os moçambicanos – assim como os brasileiros – concebem e aceitam a realidade de uma maneira pouco realista. Mais ou menos vivemos em uma história de realismo mágico?
De fato, temos tipos de culturas misturadas, miscigenadas, e essa mestiçagem se fez com nações, culturas, sentimentos e sensibilidades olhassem essa categoria chamada realidade de outra maneira e não fizesse a fricção entre o que é certo ou não certo. Tanto o Brasil como Moçambique são países que resultaram dessa emergência, dessas sensibilidades diferentes. Essas culturas – vou falar no caso de Moçambique – têm uma diferente maneira de olhar essa linha de fronteira entre o que é verdadeiro, o que é falso, o que é mágico e o que é real. Isso, obviamente, impregnou nossos países a olhar a realidade com uma interrogação. Os próprios europeus, que têm essa filosofia que valoriza tanto essa chamada realidade, criaram isso que se chama “realismo mágico”. De qualquer maneira, nunca seria um brasileiro, um latino-americano ou um africano a inventar a categoria de realismo mágico porque nós temos outro olhar. Trata-se de uma filosofia – de um modo de estar de estar no mundo – de um povo que não leva muito a sério o chamado sentido da realidade e não se deixa intimidar por uma certa racionalidade que é muito normativa em relação à necessidade de festejar o corpo e a alegria de viver.
Essas classificações são porosas, claro. Você acha que elas ajudam a gente entender os processos?
Nós temos uma tendência natural, digamos assim, para criar esses compartimentos e pensar nos estereótipos à base de clichês. A única maneira é essa: construir para nos desconstruir. Se nós não nos tomarmos muito a sério, de maneira que não nos arrumem a nós e que seja uma ferramenta que a gente possa usar e desfazer – tendo consciência dela –, tudo bem. Mas pensar em classificar também me parece uma preocupação que temos por influência de certa filosofia europeia.
Você costuma falar que contar história é uma maneira de rezar. Queria que você me falasse como essa reza ajuda a recuperar as histórias contadas dos outros.
Toda literatura faz isso. Quer dizer, há todo um convite para essa realidade, que foi nossa primeira pátria. Não aconteceu comigo, na minha casa, por essa circunstância particular de se contar muitas histórias, mas todos nós nascemos crianças e chegamos à palavra por via desse pensamento. Não é só um assunto técnico – de estar escrito –, mas é um modo de estar aberto, em sintonia com o que é visível e não-visível. Nos deixamos guiar pela palavra, somos absorvidos por ela, somos produtores dela. E isso a literatura resgata. É como dizer: “vamos permitir que uma certa infância se reinstale dentro de nós”. É isso que me faz feliz em ser escritor, é, sobretudo, eu ter feito contas com minha identidade, dizendo assim: “eu não sou uma única pessoa, sou várias, ao mesmo tempo sou tudo isso, tem uma parte negra, uma parte branca, uma parte mulher, uma parte homem, uma parte cientista, uma parte poeta”.
PARTE DOISOs comedores de nações
Era 12 de junho 2001 e Mia Couto subiu ao palco da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, para receber o prêmio Mário António Fernandes de Oliveira – atribuído de três em três anos – por “O último voo do flamingo”. Tinha na ponta da língua o que dizer:
O último voo do flamingo fala de uma perversa fábrica de ausência – a falta de uma terra toda inteira, um imenso rapto de esperança praticado pela ganância dos poderosos”, pronunciou. “O avanço desses comedores de nações obriga-nos a nós, escritores, a um crescente empenho moral”.
E desse empenho moral, Mia Couto entende: participou da luta pela independência de Moçambique, quando se juntou à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo). Nunca pegou em uma arma de fogo porque os insurgentes proibiam brancos de andarem armados. A arma, desde aquela época, era a mesma de hoje: caneta e papel.
O que é a fábrica de ausências?
Hoje, infelizmente, não há nenhum país que não esteja nessa condição. Desde o início, desde crianças, nós somos colocados numa circunstância de consumir: consumimos filmes, sons… Consumimos o tempo que já não tem tempo para nós. Precisa-se devolver essa condição de produtor, de maneira que, desde o início, desde que a criança começa a enxergar o mundo, se aceite que ela tem um discurso próprio – mesmo que esse discurso seja completamente errado aos olhos do adulto, mesmo que ele seja só no nível da poesia. Quando a criança pergunta – ou quer se encantar por qualquer coisa, seja a chuva, a nuvem, o vento –, que seja aceito esse discurso como uma coisa que está sendo criada e, portanto, é uma construção que não deve ser interrogada se é errada ou não. A criança se coloca como sujeito de si próprio e parte dos adultos tem a tentação de corrigir a criança, dizendo: “não, o vento não é isso o que estais a dizer?”, e explica o que é o vento. Isso promove uma maneira de ver hegemônica, fundada na ciência. Precisamos reinventar o mundo.
E esse seria o “empenho moral” do escritor?
Sim, construir o espaço do sonho possível. Numa sociedade em que o valor está, simplesmente, no que pode ser comprado e vendido, alguma coisa tem que ir além disso: o prazer que temos em sermos outros, em sonharmos, em viajarmos através do outro. A preservação desse espaço está para além da razão do lucro e do mercado. Esse é o nosso empenho moral e nos interessa que o livro seja capaz de produzir esse território do conhecimento.
Você esteve ligado à Frelimo, que buscava a independência de Moçambique. Na medida do possível, essa independência chegou?
Não. Moçambique precisa conquistar um caminho próprio, um caminho que seja original. Essas são as grandes urgências da nossa sociedade. Moçambique não teve tempo. Na verdade, o que houve foi que não lhe é dado esse tempo, uma nação tem que se integrar no mundo e esse mundo é ditado por essa pratica de ser global e de se encaixar na economia. Eu sei que é uma coisa muito utópica, mas poderíamos ter esse tempo e espaço para criarmos uma via própria – que poderia não ter o nome concreto de socialismo ou capitalismo – uma via que dê mais respostas à nossa própria cultura, à nossa própria realidade.
Mas como desbloquear essa via, que parece estar sempre impedida, usando uma expressão sua, pelos “comedores de nações”?
Essa é uma resposta que eu não tenho. O que eu acho é que estamos todos perdidos em relação a isso, pois vivemos esses confrontos. Não é um caso só pra Moçambique: o Brasil também vive isso. Não há nação que não viva isso, mas podemos ter uma identidade própria e não uma que seja reproduzida e imposta por uma coisa que não tem rosto. Precisamos estar conscientes de que esse caminho não nos serve mais, mas ainda estamos todos apalpando no escuro.
Algumas pessoas se referem à sua literatura como altamente politizada, também por sua história de militância. Você a vê assim?
Queria que ela fosse, em primeiro lugar, literatura. E que fosse política só na medida em que ela fosse literatura. Toda literatura é política. Essa classificação é demasiadamente apolítica e me é preocupante, acaba por deixar escapar outra coisa que é mais importante. A biologia narra a história da vida. E a literatura também: é a arte de celebrar o fato de estarmos vivos.
PARTE TRÊSPoeiras e cinzas do chão
Em o “Afinador de Silêncios”, Mia Couto, provavelmente recordando-se de sua infância tímida – “refinando silêncios, no plural” – adverte que “uns nasceram para cantar, outros para dançar, outros nasceram simplesmente para serem outros”. E conclui: “eu nasci para estar calado. Minha única vocação é o silêncio”. Queria saber quando é que o escritor decide romper esse silêncio.
Você se recorda de quando se sentiu absorvido pela palavra?
Sim, sobretudo quando eu escutava murmúrios – nunca foi pela voz proclamada, não uma coisa que se dissesse em voz alta – mas algo que sussurrava: os murmúrios das histórias que minha mãe me contava. Era como se a história fosse meu leito, onde eu me deitava naquele momento de transição entre a vigília e o dormir. A palavra me conduzia.
Você já disse uma vez o silêncio é uma música em estado de gravidez. Quando a papel está em branco ou a tela do editor de textos aberta à sua frente, como você apura esse silêncio para tentar transformar em encantamento?
A relação com o silêncio é importante para mim, porque eu tive que aprender e isso teve uma importância decisiva. Não apenas porque meu pai era um poeta, mas porque vivíamos em estado de poesia em nossa casa. O meu pai ensinou uma coisa: olhar para as pequenas coisas, ao jeito das lições de Manoel de Barros, procurando brilhos entrepoeiras e cinzas do chão. Ele nos ensinou também a ouvir poetas em noites de poesia com ele e poetas amigos. A palavra era como se fosse música. A minha origem – parte de mim, que é meu pai – me ensinava que o silêncio era um vazio, e era preciso ocupá-lo. Havia um medo do silêncio e, esse mesmo medo fazia com que a gente conversasse para ocupar o silêncio. Mas acho que a África me deu muitos silêncios e algumas coisas eu não teria, se não fosse daquele lugar. Ali o silêncio não é uma ausência, é uma presença. Alguém sempre está falando conosco quando não dizemos nada. O trabalho foi de me fazer recuar diante do medo, deixar de temê-lo e perceber que no silêncio há qualquer coisa pedindo para ser escutada.

quinta-feira, janeiro 09, 2014

ProSavana: o Brasil agora exporta latifúndios?

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ProSavana: o Brasil agora exporta latifúndios?

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Em Moçambique, camponeses reagem a programa de “modernização” nipo-brasileiro. Promete elevar produtividade mas introduziria, de contrabando, monocultura, agrotóxicos e concentração fundiária 
Por Amos Zacarias, em Envolverde/IPS
Rodolfo Razão adquiriu, em 2010, o título de Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (Duart) de dez hectares, mas só pode explorar sete. Alega que o restante foi ocupado por uma companhia sul-africana que cultiva soja, milho e feijões numa área estimada em dez mil hectares. De nada adiantou queixar-se às autoridades no distrito de Monapo, onde reside, na província de Nampula. Aos 78 anos, pouco pode esperar.
Brígida Mohamad, viúva de 50 anos, sofre por um dos seus sete filhos, cuja terra disse que foi invadida por uma empresa. “Meu filho já não tem onde cultivar, nós não estamos vendendo nossas machambas” (terreno agrícola), desabafou à IPS em Nacololo, localidade do mesmo distrito de Monapo, onde sempre viveu.
São casos que acentuam o temor com que os camponeses imaginam o Programa de Cooperação Tripartite para o Desenvolvimento Agrícola da Savana Tropical em Moçambique, conhecido como ProSavana e apoiado financeiramente pelas agências de cooperação brasileira (ABC) e japonesa (Jica).
O programa, baseado na tecnologia de agricultura tropical desenvolvida no Brasil, pretende aumentar a produção no corredor de Nacala, uma área de 14,5 milhões de hectares no centro e norte de Moçambique, com potencialidades agronômicas semelhantes às do cerrado, a savana brasileira. Vivem ali cerca de 4,5 milhões de habitantes, 80% na zona rural, uma alta densidade em comparação com países como o Brasil, que já viveram uma modernização agrícola que promove o êxodo rural.
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No entanto, em certos lugares é possível percorrer dois quilômetros sem encontrar uma casa, dada a dispersão e o isolamento das familias dedicadas à agricultura de subsistência em lotes de 1,5 hectares, em média. A mandioca é a principal base alimentar da região. Produzem ainda o milho, abóbora, gergelim, girassol e batata-doce. O algodão, o tabaco e o caju são cultivados para a geração de renda.
A perspectiva de se transformar o corredor em grande celeiro do país, inclusive para a exportação facilitada pelo porto de Nacala, deve intensificar os conflitos pela terra, ao atrair empresas voltadas à produção comercial e ao aumento de produtividade, em extensos estabelecimentos que deslocam populações tradicionais.
A presença dos grandes investidores é uma desgraça, praguejou Brígida Mohamad, ao rejeitar mudanças que não são necessariamente provocadas pelo ProSavana, mas podem acelerar-se por sua influência. Os camponeses não perderão suas terras, o objetivo principal do programa é acolher os agricultores que já estão no terreno e melhorar suas técnicas de produção, garantiu à IPS o coordenador moçambicano do ProSavana, Calisto Bias.
Contudo, as comunidades do corredor de Nacala sofrerão uma ruptura na sua forma de viver, porque os grandes investidores trazem novas relações, de empregados e patrões, e as monoculturas põem em xeque o hábito de “produzir um pouco de tudo para sua alimentação”, prevê Sheila Rafi, Oficial de Recursos Naturais da organização não governamental Livaningo.
Gerar emprego por meio de investimentos agrícolas e do estabelecimento de cadeias de valor é de fato uma das “missões” do ProSavana. Outra é modernizar e diversificar a agricultura com vistas a um aumento da produtividade e da produção, informa o site criado pelo Ministério da Agricultura para divulgar o programa.
Porém, a ameaça mais sentida é a de “usurpação” das terras. Alguns tentam proteger os seus espaços com a obtenção de títulos de Duart, mas não é uma garantia, segundo os depoimentos ouvidos. A lei moçambicana de terras diz que a terra é propriedade do Estado, e não pode ser vendida ou mesmo penhorada. As pessoas, individual ou coletivamente, podem solicitar ao governo o Duart, até um período máximo de 50 anos.
Cerca de 250 camponeses de Nacololo aglomeraram-se, no dia 11 de dezembro, diante da casa do chefe do posto local, exigindo explicações sobre uma alegada usurpação de cerca de 600 hectares pela empresa sul-africana Suni.
O distrito de Malema, a 232 quilômetros da cidade de Nampula, também vive dias turbulentos. No local operam grandes companhias agrícolas como a japonesa Nitori, produtora de algodão, que obteve a concessão de cerca de 20 mil hectares onde vivem algumas famílias a serem reassentadas. Outra é a Agromoz (Agribusiness de Moçambique S.A.), sociedade de capitais brasileiro, moçambicano e português, dedicada ao cultivo de soja em dez mil hectares.
A falta de informações oficiais agrava a incerteza. “Só estamos ouvindo que há um programa chamado ProSavana pelos meios de comunicação e organizações da sociedade civil, o governo ainda não nos falou disto”, afirmou Razão. “Não estamos contra o desenvolvimento, mas queremos políticas que beneficiem o camponês e que nos expliquem o que é isto de ProSavana”, cobrou Costa Estevão, presidente do Núcleo Provincial de Camponeses de Nampula.
O acordo triangular, de aparente complementaridade entre o mercado importador japonês, os conhecimentos brasileiros e as terras de Moçambique, em execução desde 2011, já mostrou seu potencial de controvérsias.
Organizações sociais dos três países se mobilizaram para rejeitar ou reorientar o ProSavana. O Brasil quer “exportar um modelo em conflito”, segundo Fatima Mello, diretora de relações internacionais da organização não governamental brasileira Fase, que participou em agosto da Conferência Triangular dos Povos frente ao ProSavana, em Maputo.
Milhões de camponeses sem terra, êxodo rural, sangrentas disputas de terra, desmatamento e recordes mundiais no uso do agrotóxico são efeitos desse modelo que privilegia o agronegócio, a monocultura para exportação e as grandes empresas, destacam os ativistas, que defendem a agricultura familiar e a segurança alimentar.
Parte importante na implantação desse modelo foi o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), idealizado em 1974 e executado a partir de 1978, que inspira o ProSavana. Vem do Brasil a tecnologia a ser transferida aos agricultores do Corredor de Nacala. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) capacita técnicos e gestores do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique no primeiro projeto do ProSavana.
Os outros dois componentes, a elaboração do Plano Diretor que avalia as áreas e culturas com potencialidade no Corredor e o Projeto de Extensão e Modelos (PEM), também têm decisiva participação brasileira.
Faltam “um debate público profundo, amplo, transparente e democrático” com a sociedade  e a avaliação de impacto ambiental exigida legalmente, protestaram 23 organizações e movimentos sociais moçambicanos, apoiados por 42 internacionais, em carta aberta aos governantes do Brasil, Japão e Moçambique, assinada em Maputo no dia 23 de maio do ano passado.
Os signatários reivindicam suspensão imediata das ações do ProSavana, abertura de um diálogo oficial com todos os sectores sociais do país, prioridade para a agricultura camponesa e agroecológica e uma política de soberania alimentar. Todos os recursos destinados ao ProSavana devem ser “realocados na definição e elaboração de um Plano Nacional de Apoio à Agricultura Familiar sustentável”, afirma a carta.

sábado, novembro 09, 2013

Moçambique: a paz em risco

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Moçambique: a paz em risco

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Vinte e um anos após fim da sangrenta guerra civil no pós-independência de Portugal, país africano testemunha retorno a confronto entre velhos rivais
Por Vinícius Gomes
Quando, em fins de 2012, combatentes do antigo movimento rebelde moçambicano – hoje partido oposicionista Renamo – foram para as montanhas de Gorongossa, região central do país, receber treinamento militar, já ficou claro que a paz de duas décadas estava ameaçada. Na segunda-feira (21/10), ao escapar de ataque do exército do país ao seu quartel-general militar, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, declarou que seu partido estava abandonando os acordos de paz de 1992.
Já o presidente moçambicano, Armando Guebuza, declarou na quinta-feira (31/10) que o país não voltaria à guerra. Mas, um dia depois, forças governamentais da Frelimoinvadiram a casa de Dhlakamana, importante cidade portuária de Beira, na costa do Índico.
Análises apontam responsabilidades dos dois lados. Os erros da Renamo, mais especificamente de seu líder, seriam de longa data, segundo o especialista no país Dr. Joseph Hanlon, professor visitante da London School of Economics. Para ele,Dhlakama falhou em converter o antigo movimento de guerrilha em partido político efetivo, por sua liderança ditatorial e fracas habilidades de negociação – perdendo assim a oportunidade de se tornar parte relevante do processo de transição democrática de Moçambique.
Porém, é possível dizer que a Frelimo também tem sua parcela de culpa, ao deixar de realizar uma reforma política e tornar-se o partido dominante durante mais de 20 anos. O jornalista sul-africano Ozias Tungwararaobserva que, por mais que a Renamo e seu líder não sejam “santos” – por suas ligações passadas com os regimes racistas da Rodésia e África do Sul –, “a Renamo, de fato, assinou um tratado de paz que tirou o país de um abismo e o dividendo da paz tem sido um fator essencial nos progressos econômicos e sociais de Moçambique”. E completa: “enquanto os enormes erros eleitorais da Renamo não podem ser atribuídos simplesmente ao campo político desigual, a Frelimo deveria promover uma reforma para inclusão política”.
O que continua sendo unanimidade é que absolutamente ninguém – a população, países vizinhos e os próprios partidos – quer um novo conflito armado no país. Contudo, considerando-se as recentes declarações de Dhlakama e as ações do exército de Guebuza, não há solução de curto prazo à vista.

segunda-feira, setembro 23, 2013

mia couto

Não quero o primeiro beijo:
basta-me
o instante antes do beijo.

Quero-me
corpo ante o abismo,
terra no rasgão do sismo.

O lábio ardendo
entre tremor e temor,
o escurecer da luz
no desaguar dos corpos:
o amor
não tem depois.

Quero o vulcão
que na terra não toca:
o beijo antes de ser boca.

MIA COUTO
*

quarta-feira, setembro 18, 2013

dinis mandevane comenta



 Redistas,

Uma reflexao oportuna e que nos encontra na ressaca do II Lusofono...ca entre nos, vai alimentar as discussoes em torno das apresentacoes feitas que ao nivel institucional comecamos ontem a realizar.

Por fim, um abraco fraterno a nossa querida Michele e aos outros parceiros que tem perdido o seu sono em prol das questoes ambientais e tambem desta magnifica rede.

Um aabraco do tamanho do indico para todos voces. 
Dinís A. Mandevane
17/09/2013
*

terça-feira, setembro 18, 2007

Vilela de Sousa


Vai a expoñer o estado da Educación Ambiental en Mozambique.

Licenciada en Ensino de Química e Bioloxia polo I.S.P. (Instituto Superior Pedagóxico), actual Universidade Pedagóxica. Posgraduada en Desenvolvemento Agrário, Xestión de Recursos Florestais e Faunísticos e actualmente é aspirante para o Grao de mestre. Foi profesora de Bioloxía e Técnica de Educación Ambiental no MICOA (Ministerio para a Coordinación da Acción Ambiental). Impartiu o Curso de Desenvolvimento Sustentável para os Administradores Distritais realizado em Maputo, uma iniciativa do “Projecto Capacidade 21”, en 1996. Entre 1997-2005 foi Xefe do Departamento Central de Divulgación Ambiental na Dirección Nacional de Promoción Ambiental. En xuño de 2005 foi nomeada Directora Nacional Adxunta de Promoción Ambiental no MICOA, e en xaneiro de 2006 Directora Nacional para Promoción Ambiental no MICOA. No 2006, Punto Focal de Educación Ambiental na SADC.

En 2006 participou na reunión técnica dos Ministros do Ambiente da CPLP en Brasília, Brasil e na 10ª Reunión Anual de Representantes da Rede de Educadores Ambientais da SADC, Gaborone- Botswana. En 2007 participou como Oradora no 4º Congreso Mundial de Educación Ambiental, Durban- Africa de Sur.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Saquina Filimone Mucavele



Frequentou o curso de Sociologia com a UNISA. Fez vários cursos técnicos e alguns linguísticos (Inglês e Francês), no Instituto de Línguas em Maputo-Moçambique. Esteve na França, integrando o grupo de melhores estudantes finalistas moçambicanos do curso de francês em 2000.

Trabalhou em vários locais;

  • Embaixada Moçambicana em Harare entre 1989 a 9991.
  • Trabalhou na primeira Clínica Privada em Moçambique Clínica Cruz Azul, como Directora Administrativa de 1992 a 1997.
  • Trabalhou em dois projectos Britânicos (POWER Mozambique e Mott Hay and Anderson), ambos como Assistente Administrativa. 1997 a 2003.
  • Trabalhou na Electricidade de Moçambique de 1981 até princípios de 1989, como Assistente de Relações Públicas tendo antes feito um curso de técnicos administrativos e posteriormente o curso de Secretária Executiva em Harare, na mesma década.

Desde então, teve muitas formações (exp.Lobby e Advocacia, Género, Educadores Ambientais, Lei da Família, Lei das Sucessões, Violência, Eleições e Democracia, Soberania Alimentar, Monitoria e Avaliação da implementação do Plano do Governo, Acordos de Parceria Económica etc) Desenvolveu diversa parceria tanto na área ambiental como do gênero e tem participado activamente em grupos de trabalho.