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quinta-feira, abril 28, 2016

Video Tatu tu tá II - Tráfico de Animais Silvestres

Veja mais um vídeo que integra o material do projeto Liberdade & Saúde - animais silvestres livres: pessoas saudáveis. O projeto é executado pelo IBAMA-PI, sendo coordenado pelos Médicos Veterinários Fabiano Pessoa e Sandovaldo Moura.




O projeto busca promover a utilização da educação ambiental como ferramenta de combate ao tráfico de animais silvestres e prevenção de suas zoonoses através da integração entre o IBAMA-PI e o sistema educacional público e privado de ensino. Os educadores, durante os cursos, recebem o material elaborado pela equipe do IBAMA-PI (gibi Liberdade & saúde, cd cantando por liberdade, joguinhos, cartazes, vídeos e cd contendo as palestras e as músicas animadas em power point). Assim, o projeto parte do pressuposto que essa informação chegará aos alunos e, por meio desses, aos seus familiares e amigos, os quais, conscientes dos malefícios do tráfico, não comprarão animais silvestres ilegais. Consequentemente, não serão cúmplices nas crueldades praticadas durante a sua captura e transporte. Além disso, não se exporão às zoonoses silvestres, resultando em ganhos econômicos e ambientais.

contatos:sandovaldo@yahoo.com.br; fabiano.pessoa@hotmail.com

Ficha técnica: Letra - Sandovaldo Moura, Música - Messias Messina, Intérprete - Darlene Viana, Backing Vocals: Anne Holanda e Sabrina Alcântara,Vídeo - Sandovaldo Moura.

terça-feira, março 29, 2016

Associação IPÊ ministra Curso de Ecologia Profunda via Internet


O objetivo do Curso de Ecologia Profunda é o enriquecimento cultural, desenvolvimento da mente e o despertar da consciência ecológica profunda nos participantes.

O curso conta com a colaboração voluntária de mais de 30 facilitadores e é dedicado a todas as pessoas que buscam o autoconhecimento, ou seja, a compreensão da ecologia interior e exterior, fornecendo uma visão ampla da Vida.

Os conteúdos são estudados dentro de uma perspectiva transdisciplinar, integrando ciência, cultura, religião, arte, política, ecologia e vida interior.

Alguns temas abordados são:

- Filosofia: consciência, metafísica, sentido da vida;

- Ética, Política e Direito: moral, bioética, ecoética, exercício de cidadania, governo de si, dinheiro e poder, liderança, espiritualidade e política;

- Psicologia: história, parapsicologia, neurolinguística, psicologia junguiana (alquimia, simbolismo, sonhos), psicologia transpessoal;

- Física Contemporânea: ciência e religiosidade, física quântica;

- Antropologia: cosmogênese, antropogênese, cultura indígena, xamanismo, mitologia, civilizações antigas, sociedades secretas, iniciação, ascensão;

- Religiões: Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Candomblé, Umbanda, Zoroastrismo, Hinduísmo, Bramanismo, Taoísmo, Budismo, Zen, Espiritismo, Confucionismo, Xintoísmo, Sufismo, Baha’i;

- Fenômenos Sociais: civilização futura, movimentos filosóficos;

- Agroecologia: agricultura e meio ambiente, educação ambiental, ecologia profunda, agrofloresta, agricultura orgânica, biodinâmica, permacultura;

- Saúde Integral: sistemas tradicionais de cura, fitoterapia, homeopatia, medicina antroposófica, tipos de alimentação;

- Yoga; Tai-chi-chuan;

- Desenvolvimento Artístico.


INFORMAÇÕES E INSCRIÇÃO:

1. O curso é exclusivamente via internet, através do envio de textos e apostilas, que são estudados individualmente por cada participante, com criação de grupo para partilha. O curso totaliza 16 módulos/meses.

http://groups.google.com.br/group/ecologiaprofunda

2. A contribuição mínima de cada módulo/mês é de R$ 15,00 mais R$ 10,00 de inscrição. O pagamento integral à vista com desconto fica R$ 235,00. Os participantes podem voluntariamente fazer contribuições superiores para colaborar com a qualificação e ampliação das atividades da Ipê.

3. Havendo atrasos na confirmação da contribuição mensal, é cobrado R$ 10,00 para reenvio do material.

4. As tarefas são obrigatórias apenas para quem quer certificação ao término; são simples e possuem prazo de um mês para serem feitas. Para atrasos é cobrado taxa de R$ 10,00 cada disciplina.

5. A Associação Ipê emite certificado digital ao término do curso para os interessados em dia com as tarefas solicitadas. Será solicitado R$ 10,00.

6. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção e qualificação dos trabalhos e construção de Núcleos de Silêncio e Atividade Criativa cultural, de saúde integral e ecológica no campo.

7. Para se inscrever, é necessário o preenchimento e envio dos dados abaixo, juntamente com o comprovante de depósito (digitalizado ou fotografado) ou os dados (dia, valor, número do comprovante, terminal) para aipemg@gmail.com

Dados Bancários:
Banco Bradesco - 237, Agência 0510-0, Conta Poupança 1005470-2
Swift: BBDEBRSPSPO
Titular: Tatiana Regina Sandy Reis – CPF 032.382.526-58
Curso de Ecologia Profunda - CEP - Inscrição

Ficha de Inscrição
Nome Completo:

Data de Nascimento:

Cidade onde reside: Estado:

Endereço Eletrônico: Confirmação de endereço eletrônico:

Escolaridade: Área de atuação:

Como ficou sabendo do curso? Qual a sua expectativa com relação ao Curso de Ecologia Profunda ?


Mais informações:
aipemg@gmail.com

segunda-feira, março 28, 2016

Estudantes da UESC produzem Documentário "Gota D'água" e revela o porque da falta de água em Itabuna


Oficina de Vídeo Educativo - Comunicação Social, Rádio e TV - UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz): Agnaldo Freitas, Andreza Mona, Catharina Coelho, Marina Noronha, Naan Paim, Silvana Berilo.

quinta-feira, março 24, 2016

Cine Cabaça realiza mostra de audiovisual no Assentamento Terra Vista


O Cine Cabaça realizou a sua 3ª exibição no Assentamento Terra Vista (MST), localizado na zona rural do município de Arataca, território de identidade Litoral Sul da Bahia.

Esta iniciativa se soma as ações do projeto Rede Cineclubista nas Escolas, uma realização da OCA (Centro de Agroecologia e Educação da Mata Atlântica) e Cineclube Mocamba. O projeto conta com apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, mecanismo de fomento gerido pelas secretarias de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Fazenda (Sefaz).

Nesta oportunidade foi exibido o filme “Como Nascem os Anjos” que conta de Maguila, Branquinha e Japa, três moradores do morro Dona Marta no Rio de Janeiro. Eles acabam se envolvendo numa tensa fuga pela cidade do rio, após Maguilla assassinar o chefe do morro num disparo acidental. Em sua fuga, Maguila encontra Branquinha e Japa, duas crianças que decidem acompanhá-lo. O filme aborda a relação do tráfico de drogas nas comunidades do Rio de Janeiro.

A prática cineclubista visa trazer o cinema para o cotidiano do nosso assentamento, numa perspectiva de fomento à cultura popular aos moradores de área de reforma agrária. As sessões são sempre gratuitas e abertas para toda a comunidade; após a exibição, são realizadas roda de conversas para troca de impressões e sentimentos sobre o filme.



terça-feira, março 22, 2016

NO AR último volume da Revista Ambiente & Sociedade


Já está disponível online o último volume (18.4) da Revista Ambiente & Sociedade. Para conferir todos os artigos basta acessar ESTE LINK.

BOA LEITURA!

sábado, junho 13, 2015

O Sal da Terra - Salgado, desenhista da luz no mundo de sombras

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Cultura/O-Sal-da-Terra-Salgado-desenhista-da-luz-no-mundo-de-sombras/39/33707


12/06/2015 - Copyleft

O Sal da Terra - Salgado, desenhista da luz no mundo de sombras

"Somos um animal muito feroz; somos terríveis," diz Sebastião Salgado no documentário dedicado a ele por Wim Wenders.


Léa Maria Aarão Reis
Reprodução/O Sal da Terra
Quando se refere à nossa espécie, a frase do mineiro Sebastião Salgado, um ícone vivo da fotografia do nosso tempo, permeia o espírito do festejado documentário sobre sua extraordinária obra, O Sal da Terra (The salt of the earth, de 2014), que há mais de três meses lota cinemas nas principais cidades do Brasil.

“Somos um animal muito feroz; somos terríveis,” diz Salgado em uma de suas intervenções, uma espécie de guia para o roteiro do filme que ampliam e aprofundam o drama contido nas imagens que produz. Dirigido pelo alemão Wim Wenders, outro ícone do cinema contemporâneo (autor de Buena Vista Social Club), e pelo jovem filho de Sebastião, também fotógrafo, Juliano Ribeiro Salgado, este documentário emociona e choca até os espíritos mais desencantados com a natureza humana que parece viver, hoje, com seu lado sombrio, os últimos resquícios de piedade e benevolência na sua experiência.

Photo significa luz, em grego”, lembra Wenders no filme, ”e o fotógrafo é alguém que desenha com a luz no nosso mundo de sombras. Quando conheci as fotos de Salgado, por acaso, em uma galeria alemã, percebi que o autor era alguém que se importava com os outros. Tive então o forte impulso de me aproximar dele.”

Foi assim que se iniciou a amizade entre o cineasta alemão casado com uma fotógrafa profissional e Sebastião Salgado. Ele hoje tem 71 anos, nasceu em Minas Grais, em Aimorés, foi criado na fazenda de gado do pai, na beira do Rio Doce, e quando moço se exilou em Paris por conta da ditadura. É economista por formação. Na mira da lente da sua Canon, o aventureiro-viajante e testemunha da nossa época  acompanhou os grandes êxodos originários de deslocamentos forçados de populações, registrou guerras pelo poder através do planeta e, nelas, assassinatos gratuitos de milhares de civis; a devastação da natureza, a destruição de florestas e a poluição oceanos, a crueldade dos genocídios que, - isto é o pior -, se perpetuam apesar das denúncias cada vez mais vazias e descartáveis e dos protestos oficiais risíveis.

Dividido em capítulos intitulados Outras AméricasSahelTrabalhadoresImigrantesÊxodos,Instituto Terra - o filme tem inicio com as célebres e impressionantes imagens de Salgado retratando o delírio da corrida do ouro em Serra Pelada, nos anos 80. “Parecia uma Babel”, ele descreve, falando devagar e baixinho como é do seu feitio. “Era como as minas do rei Salomão. Cinquenta mil pessoas murmurando, subindo e descendo as escadas precárias de madeira montadas no abismo, 50, 60 vezes ao dia. Escravos do desejo de enriquecer, com o ouro como que entranhado na alma. Parecia o início do mundo.”

Nesta série, Trabalhadores, imagens impressionantes mostram também os poços de petróleo do Kuwait incendiados por Sadam Hussein. “Ficávamos durante 24 horas seguidas sem ver a luz do sol tal o volume de fumaça negra que subia no ar.”

O fascínio do filme está não apenas no respeito e na delicadeza com que Wenders trata o precioso material que tem nas mãos. Caso por exemplo das sequências dirigidas anteriormente por Juliano, com surpreendentes imagens de uma das últimas comunidades de morsas existentes no planeta, em uma ilha deserta do Ártico. “No Ártico não há horizonte,” comenta Salgado.

A apresentação das suas próprias fotos, na longa entrevista-guia que concede a Wenders, oferece uma dimensão aprofundada do seu trabalho de 40 anos. Desde que deixou o Banco Mundial e a Organização Mundial do Café, em Paris e Londres quando estudou e analisou os mercados mundiais, comerciais e industriais que regem o mundo, antes de se profissionalizar como fotógrafo.

“Não se pode construir um futuro sem pensar na nossa origem,” diz Salgado, no doc. “As luzes da minha fotografia vieram da fazenda do meu pai e a forma barroca do meu trabalho veio de Minas Gerais. Eu moro em Paris, mas nunca saí de Minas.”

Sua longa viagem é acompanhada por Wim Wenders e começa com a identificação, quando jovem, com a Teologia da Libertação, no Brasil, e com o começo dos movimentos dos sem terra, no nordeste brasileiro. Depois, os Andes e as montanhas da América Latina, a “América Latina profunda onde a vida e a morte estão sempre próximas porque para as comunidades que conheci no continente, morrer é uma continuação da vida”.

O périplo prossegue nas imagens dos saragurus, no sul do Equador; dos mrixes e dos tarahumares no México e, anos mais tarde, na África, no Sahel. Fotografando os coptas da Etiópia (fotos impressionantes da política brutal no norte do país) e, seguindo rastros dos Médicos Sem Fronteiras, os genocídios africanos e o massacre de tutsis em Ruanda. “Certa vez, percorremos 150 quilômetros vendo corpos, cadáveres, na beira da estrada; isto dá a dimensão daquela catástrofe.”

“Depois de ver também os 120 mil mortos na minha última viagem a Ruanda, em 1990,” diz Salgado,“ eu saí da África pensando como a espécie humana é feroz. Saí de lá sem acreditar mais na salvação da humanidade. Achando  que não merecemos viver.”

Foi Lélia, sua mulher, arquiteta e companheira da vida toda quem ajudou o marido a se refazer. “Nós começamos a ir mais vezes para a fazenda para melhorar  seu astral porque foi um momento dele de muita tristeza com o mundo,” ela explica no filme.” E foi de Lélia a ideia de replantar a Mata Atlântica na fazenda que tinha sido do pai de Sebastião. As imagens da região, antes e de depois do projeto batizado como Instituto Terra, são emocionantes. Mais de dois milhões de árvores foram plantadas numa área antes devastada. Para Sebastião, o retorno às origens foi importante depois da sua última viagem a Ruanda.

A partir de então Salgado passou a fotografar a natureza e animais. A mostra organizada por Lélia com essas imagens, com o título de Gênesis, que levou multidões ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, é uma visão mais otimista do fotógrafo. “É uma carta de  amor ao planeta que ele tinha visto devastado”, observa Wenders.

Alguém observou que em O Sal da Terra há uma “serena gravidade e contenção acompanhando cada imagem”. É o estilo de Wenders. Ele não esconde a imensa admiração pelo seu personagem, desvela a paixão dele pela vida, pelo ser humano, pelos  animais e a natureza.

Nós diríamos que o fotógrafo que já foi acusado de estetizar a miséria – na época ele respondeu: “Nossa linguagem é necessariamente estética. Criticar isso é como criticar um escritor por sua forma de escrever”  -, hoje convive melhor com os animais e com a natureza. Melhor do que com seres humanos, que afinal são o sal da terra tanto para alimentá-la como para destruí-la.

*O Sal da Terra foi indicado ao Oscar de documentário, este ano. Recebeu o Prêmio do Júri na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes 2014 e ganhou o premio francês César de melhor documentário. Pode ser visto na íntegra e legendado na internet ou alugado nos serviços competentes da televisão.
 


Créditos da foto: Reprodução/O Sal da Terra

sábado, junho 07, 2014

Brasil é principal exemplo de sucesso na redução do desmatamento, aponta ONU

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Meio-Ambiente/Brasil-e-principal-exemplo-de-sucesso-na-reducao-do-desmatamento-aponta-ONU/3/31092


Brasil é principal exemplo de sucesso na redução do desmatamento, aponta ONU

Relatório indica que o governo brasileiro reduziu o desmatamento na Amazônia por meio da criação de áreas de proteção ambiental.


Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil
Um relatório divulgado hoje (5) na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, destacou o Brasil como exemplo de sucesso na redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa. Produzido pela Union of Concerned Scientists (UCS), com sede nos Estados Unidos, o documento intituladoHistórias de Sucesso no Âmbito do Desmatamento: Nações Tropicais Onde as Políticas de Proteção e Reflorestamento Deram Resultado traz um capítulo dedicado ao Brasil, apresentado como o país que fez as maiores reduções no desmatamento e nas emissões em todo o mundo.
 
Dezesseis países da África, América Latina e Ásia também são citados como exemplos de sucesso na proteção às florestas. O relatório indica que o governo brasileiro reduziu o desmatamento na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, por meio da criação de áreas de proteção ambiental a partir da segunda metade da década de 1990, com grande intensificação neste século, e as moratórias acordadas com empresas privadas sobre a compra de soja e carne de áreas desmatadas. "As mudanças na Amazônia brasileira na década passada e a sua contribuição para atrasar o aquecimento global não têm precedentes", diz o documento.
 
De acordo com o principal autor do trabalho, Doug Boucher, o caso brasileiro mostra que o desenvolvimento econômico não é prejudicado pela redução do desmatamento. "Por exemplo, as indústrias de soja e de carne bovina no Brasil prosperaram apesar das moratórias evitando o desmatamento". O relatório avalia que a derrubada da floresta, "vista no século 20 como algo necessário para o desenvolvimento e uma reflexão do direito do Brasil de controlar seu território, passou a ser vista como uma destruição de recursos devastadora e exploradora daquilo que constituía o patrimônio de todos os brasileiros".
 
O estudo destaca o papel desempenhado pelas reservas indígenas na conservação da Floresta Amazônica, iniciativas estaduais e a ação de promotores públicos de Justiça, “um braço independente do governo, separado do Poder Executivo e Legislativo, e com poderes para processar os responsáveis pela violação da lei”. Também é citado o apoio internacional, como o acordo celebrado com a Noruega, que já repassou US$ 670 milhões em compensação pelas reduções das emissões. O documento é considerado de natureza não apenas financeira, mas também política e simbólica, mostrando o compromisso em apoiar os esforços dos países tropicais.
 
Em relação ao futuro, no entanto, o relatório informa que duas mudanças em 2013 levantaram dúvidas sobre a continuidade do sucesso do país na área climática: as emendas ao Código Florestal Brasileiro que anistiam desmatamentos anteriores e o aumento de 28% na taxa de desmatamento entre 2012-2013 na comparação com o período 2011-2012. A avaliação do documento é que ainda é muito cedo para prever se este crescimento será uma tendência, mas ressalta que, embora o desmatamento tenha aumentado 28% no ano passado, em relação a 2012, ele foi 9% menor ao registrado em 2011 e 70% inferior à media entre 1996 e 2005.
 
"O Brasil inscreveu seu plano para reduzir o desmatamento em 80% em 2020 na lei nacional, mas para que haja um progresso continuado será necessário redobrar os esforços para reduzir as emissões" afirma o documento. "Nesse meio tempo, a redução do desmatamento da Amazônia já trouxe uma grande contribuição no combate à mudança climática, mais do que qualquer outro país na Terra", finaliza.

terça-feira, abril 15, 2014

Monte Roraima: caminhadas, observação de aves e bolivarianos em crise (parte 3)

o eco
http://www.oeco.org.br/olhar-naturalista/28214-monte-roraima-caminhadas-observacao-de-aves-e-bolivarianos-em-crise-parte-3

Por aí com Darwin e uma Canon. Meditações, viagens, opiniões e incorreções políticas de Fábio Olmos, um biólogo viajante que acha que quanto mais você sabe, mais você vê.

Monte Roraima: caminhadas, observação de aves e bolivarianos em crise (parte 3)
Fábio Olmos - 14/04/14

Figura-31O Maverick, ponto culminante do Roraima, visto de nosso hotel. Foto: Rita Souza
Dormimos muito bem sob um friozinho de 9 graus e um belo dia nos saudou. Novamente subimos o Maverick, agora sob um tremendo vento, para fazer algumas das fotos obrigatórias do Roraima antes do café da manhã e partir para uma longa caminhada pelo platô. Antes de sairmos fomos visitados por tico-ticos, fura-flores e um beija-flor-violeta Colibri coruscans, outra novidade para nosso grupo.
Partimos rumo ao vale do Arabopó, um dos rios que nascem no platô e despencam lá de cima em fendas que cortam o interior da montanha. Durante a caminhada era difícil escolher qual formação de rochas era mais interessante e você quase acredita nas histórias de que as pedras mudam de posição durante a noite. Lógico, não há nada sobrenatural envolvido, apenas o poder erosivo do vento e da água, mediados por biofilmes, sobre camadas de arenito com resistências diversas. O que não é menos impressionante.
Além das rochas a vegetação é uma atração à parte. As espécies mais comuns são as Stegolepis guianensis, mas há várias orquídeas, algumas bromélias e muitas plantas carnívoras. Onde o solo é mais profundo, como em alguns vales, crescem arvoretas Bonnetia roraimae, que também ocorrem na floresta nebular abaixo.
As plantas tendem a crescer em "ilhas" de sedimento cercadas por muita rocha nua e o acúmulo gradual de matéria orgânica e partículas minerais faz com que essas cresçam e possam sustentar espécies de maior porte. As depressões na rocha, por sua vez, acumulam muita água, formando poças e piscinas onde crescem cianobactérias que formam melequentos tapetes roxos. Imaginamos se estas melecas roxas poderiam evoluir para algo como o Blob.
Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas
Figura-32Figura-33Figura-34
Figura-34aFigura-35Figura-36
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Essa é uma caminhada longa e cansativa (fizemos 17 km neste dia) e ao chegarmos ao Arabopó encontramos o vale inundado, o que nos fez decidir mudar de rota e ir para o Fosso. Essa é uma cavidade inundada que abre para o exterior através de um poço vertical. Seu interior mostra colunas que suportam o teto e espeleotemas formados com mediação do biofilme que encrusta as rochas, um bom exemplo de como biologia e geologia se combinam.
Nossa equipe de apoio já havia providenciado um almoço, que nos aguardava quando chegamos, e após um bom banho e explorar os arredores começamos a longa caminhada de volta ao nosso hotel.
Mais aves
"o grande momento foi observar dezenas de guácharosSteatornis caripensisrepousando nas prateleiras ao longo do paredão do canyon que é a fenda (...)"
No dia seguinte, que começou com um sol glorioso e céus limpos, optamos por uma abordagem mais ornitológica e após o café da manhã fomos diretamente ao "hotel" Guácharo, onde uma ave desta espécie havia tentado nidificar. Só encontramos mais turistas acampados ali, então decidimos ir à famosa Fenda dos Guácharos (ou dos "demônios voadores", como querem alguns) para observar estas aves.
É uma caminhada mais curta, mas não com geologia não menos dramática, que rendeu visões rápidas de duas espécies adicionais de beija-flores. Mas o grande momento foi observar dezenas de guácharos Steatornis caripensis repousando nas prateleiras ao longo do paredão do canyon que é a fenda, um dos pontos altos da viagem para nosso grupo de observadores de aves.
Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas
Figura-37
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Figura-40
Os guácharos são aves noturnas que se alimentam de frutos, especialmente de palmeiras, e formam colônias em cavernas e fendas profundas abrigadas do sol. Eles têm um sistema de ecolocação similar aos morcegos e sua voz faz jus à história dos demônios voadores. Os do Monte Roraima devem voar boas distâncias até as áreas de floresta para encontrar seu alimento.
Banho gelado
Da Fenda retraçamos o caminho até a Praça Central e dali até as Jacuzzis, um conjunto de piscinas naturais que é uma das atrações mais famosas do Roraima. No caminho passamos por um afloramento de cristais de rocha, formados por intrusões vulcânicas que penetraram no arenito. Muito mais duros do que este, os cristais acabam acumulando-se na superfície conforme o arenito é erodido e vira areia.
As Jacuzzi foram uma parada bem-vinda para um banho gelado (obrigatório) antes de retornamos para o hotel, almoçar e iniciar a descida para o acampamento Base, uma decisão que tomamos para evitar ter que caminhar do topo do Roraima até o Tek no mesmo dia, o que é bem puxado, e termos mais tempo para ir atrás de mais aves. Um gavião-de-rabo-branco Geranoaetus albicaudatus voava sobre o platô quando deixamos o acampamento, uma espécie não listada para o Monte Roraima mas frequente na Gran Sabana.
Figura-44As famosas Jaccuzzi. Foto: Fábio Olmos
O bom tempo ajudou durante este dia e após almoçar e guardar nossas coisas caminhamos de volta ao acampamento Base sem precisar nos encharcar com chuva ou sob as Lágrimas e com visão perfeita do paredão do Roraima. Nossa equipe de apoio desceu até o acampamento com humilhante rapidez e já víamos nossas barracas sendo armadas lá embaixo antes de chegarmos na metade do caminho.
Nossa lerdeza foi parcialmente causada pelas paradas para fotografar a paisagem e observar aves ao longo do caminho, onde reencontramos vários dos endêmicos, como o anambé, o fura-flor, o barranqueiro, a saíra e o asa-de-sabre, além do beija-flor-violeta. O que confirmou ser o trecho entre o Base e o paredão da montanha o melhor, em toda a caminhada, para observar aves.
De volta ao Base
"(...)próximos ao acampamento conseguimos atrair mais um bicho especial que foi devidamente fotografado, o ferreirinho-ferrugem Poecilotriccus russatus. Mais uma alegria para nosso grupo."
 
Chegamos no Base no final da tarde, ainda a tempo de observar as revoadas de Nanoppsittacas e novamente ficarmos frustrados por eles voarem tão alto e fotos serem impossíveis. Bom, ganha-se umas, perde-se outras.
O dia 14 de fevereiro foi nosso penúltimo dia e começou com uma manhã dedicada a procurar espécies que ainda não havíamos observado. Encontramos vários das espécies já conhecidas ao redor do acampamento Base, incluindo penetras vindos da savana mais abaixo como o sanhaçu-de-coleira Schistochlamys melanopis e a saíra-amarelaTangara cayana.
Tentamos atrair espécies que havíamos apenas ouvido e "pescamos" tocando as vozes de outras que poderiam ocorrer ali, mas não havíamos detectado, como um tucaninho verde que também é endêmico dali. Não tivemos sorte com eles, mas bem próximos ao acampamento conseguimos atrair mais um bicho especial que foi devidamente fotografado, o ferreirinho-ferrugem Poecilotriccus russatus. Mais uma alegria para nosso grupo.
Antes de partirmos ainda observamos duas espécies de andorinhões, um taperuçu-dos-tepuis Streptoprocne phelpsi voando em frente ao paredão e, na direção do Kukenan, dezenas de andorinhões-montanos Aeronautes montivagus, outra espécie compartilhada com os Andes e novidade para nosso grupo.
Rumo ao Tek
Figura-53Atravessando o Kukenan rumo ao acampamento no rio Tek. Foto: Fábio Olmos
"Cruzamos com muitos turistas, desde adolescentes a vovôs usando bengalas, conversando em alemão, francês, espanhol e eslovaco. Turistas americanos não são comuns por não serem bem-vindos"
 
Partimos rumo ao rio Tek, cada um no seu ritmo. Cruzamos com muitos turistas, desde adolescentes a vovôs usando bengalas, conversando em alemão, francês, espanhol e eslovaco. Turistas americanos não são comuns por não serem bem-vindos, embora os americanos sejam os maiores compradores do petróleo venezuelano.
Caminhar pelo parque me fez pensar em quantos secretários e ministros do meio ambiente brasileiros, para não dizer presidentes, foram ou são usuários das Unidades de Conservação? Quantos destes personagens, que tem nas mãos o destino de áreas insubstituíveis, são andarilhos, fotógrafos da natureza, montanhistas, observadores de aves, mergulhadores ou apenas frequentam estes espaços para relaxar?
Figura-54Nem só turistas usam o acampamento do rio Tek....
Isso para não dizer, quantos têm formação mínima sobre biodiversidade e ecossistemas? Para entender que um bagre do rio Madeira é diferente do bagre do pesque-pague, e porque uma barragem naquele rio é uma ideia ruim sem que seja necessária uma enchente para demonstrar uma das razões.
Acho que muitos poucos, o que explica parte do barbarismo do Brasil.
Fizemos uma parada para almoçar no rio Kukenan, logicamente com um mergulho no rio para esfriar e também desafiar os mosquitos-pólvora que queriam almoçar nosso sangue. Um turista eslovaco estava acampado ali por ter sido picado por uma aranha e não conseguir acompanhar seu grupo. Muito simpático, conversou com nosso grupo por um tempo e nos introduziu à bebida típica de seu país, a slivovitsa, um ótimo aguardente (ou melhor,palinka) feito de suco de ameixas. Eu amo a globalização.
Desejamos sorte ao nosso amigo e pouco depois chegamos ao acampamento do rio Tek, onde celebramos nossos lifers e a visita à montanha com latinhas de cerveja gelada e um generoso jantar. Grupos de turistas, incluindo muitos brasileiros, lotavam o lugar e também celebravam sua chegada ali.
Partimos cedo na manhã de 16 de fevereiro para vencer os 15 km até Paraitepui a tempo de visitar um outro ponto interessante que vimos no caminho desde Santa Elena e evitar chegar muito tarde em Boa Vista.
Figura-55Rumo a Paraitepui. É fogo...
Balanço
"o Parque Nacional Canaima existe há mais de 50 anos e é uma das grandes atrações turísticas da região, mas também é um parque com muitos problemas. As trilhas não estão preparadas para os usuários e degradam ambientes frágeis"
 
Minha chegada em Paraiepui depois dos 15 km desde o rio Tek teve o bônus de encontrar duas espécies de savanas, a corruíra-do-campoCistothorus platensis e o maxalagagá Micropygia schomburgkiicantando junto à vila. Depois de uma merecida bebida gelada demos baixa no livro de registros do parque antes de partirmos.
Como eu disse o Parque Nacional Canaima existe há mais de 50 anos e é uma das grandes atrações turísticas da região, mas também é um parque com muitos problemas. As trilhas não estão preparadas para os usuários e degradam ambientes frágeis como as turfeiras, além de erodir as encostas do Monte Roraima. É evidente que florestas continuam ser perdidas para o fogo e a agricultura e não vimos nenhum mamífero exceto cães domésticos. Faltam equipamentos como latrinas, mesmo simples arboloos que poderiam ser usados para reflorestar o entorno dos acampamentos .
Ignorando a lei que diz que Unidades de Conservação são um excelente indicador da eficiência de um governo, eu esperava mais de um país que já se orgulhou de ter um dos melhores sistemas de áreas protegidas na América Latina e ser revolucionário. O Monte Roraima merece mais cuidado.
Kako Paru
Figura-56Bônus geológico: Kako Paru, um rio que corre sobre um afloramento de jaspe vermelho. Foto: Fábio Olmos
"Este é um riacho, com talvez 10 m de largura, que corre e forma cachoeiras sobre um afloramento de jaspe vermelho, algo único no mundo."
 
A caminho de Santa Elena paramos no nosso bônus geológico, a cachoeira de Kako Paru, também no parque nacional. Este é um riacho, com talvez 10 m de largura, que corre e forma cachoeiras sobre um afloramento de jaspe vermelho, algo único no mundo. O jaspe é uma pedra semipreciosa formada em sedimentos ricos em sílica cozidos por fontes hidrotermais. Uma herança da atividade vulcânica que já existiu ali.
Filas, câmbio pior e notícias de conflitos
"Após nova parada para trocar os bolívares que sobraram (já desvalorizados na taxa de 1 para 32), fizemos boa parte da viagem rumo a Boa Vista no escuro. Isso mostrou a extensão dos incêndios que queimavam áreas enormes no norte do estado."
 
Em Santa Elena de Uraien encontramos filas quilométricas nos postos de combustível, soldados nas estradas e nervosismo. As notícias eram de que manifestações em outras partes do país haviam sido reprimidas e pessoas mortas pela polícia, ou que haviam tentado um golpe de estado. Paradas em lojas que supostamente teriam boas ofertas para turistas renderam prateleiras pouco abastecidas.
Após nova parada para trocar os bolívares que sobraram (já desvalorizados na taxa de 1 para 32), fizemos boa parte da viagem rumo a Boa Vista no escuro. Isso mostrou a extensão dos incêndios que queimavam áreas enormes no norte do estado. Nunca ficamos fora da vista de algum fogo e uma linha com pelo menos 3 km seguia paralela à estrada e queimava o lavrado e morros na Terra Indígena São Marcos. A piromania humana não perde uma chance de se manifestar.
Retornamos para casa em um voo noturno e logo procurei notícias sobre o que acontecia na Venezuela. Soubemos então que estudantes que perceberam que seu futuro foi roubado e gente comum cansada das filas, da falta de produtos básicos, da inflação absurda e da violência endêmica estavam nas ruas protestando contra um governo que não deixou outras opções para vozes discordantes.
Também vi como os pequenos stalins daqui manifestam seu apoio aos autoritários de lá e tentam confundir sobre quem são os fascistas nessa história.
Espero que a Venezuela saia desta confusão da forma mais indolor, e que nós, por aqui, aprendamos algo com o que acontece com nossos vizinhos. Democracia de verdade não é algo fácil e leva tempo para construir, mas as opções são muito piores.
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sábado, abril 12, 2014

Monte Roraima: caminhadas, observação de aves e bolivarianos em crise (parte 2)

o eco
http://www.oeco.org.br/olhar-naturalista/28198-monte-roraima-caminhadas-observacao-de-aves-e-bolivarianos-em-crise-parte-2
Por aí com Darwin e uma Canon. Meditações, viagens, opiniões e incorreções políticas de Fábio Olmos, um biólogo viajante que acha que quanto mais você sabe, mais você vê.

Monte Roraima: caminhadas, observação de aves e bolivarianos em crise (parte 2)
Fábio Olmos - 10/04/14

Figura-16O paredão do Roraima, 400 m de rocha nua. Fotos: Fábio Olmos
Partimos cedo, atravessando o rio Tek e logo depois o Kukenan, com pausa para observar aves (um par de arirambas-pretas Brachygalba lugubris deu um show) e um banho de rio antes de continuar a caminhada de 9 km até o Acampamento Base do Roraima. Este é um trecho em aclive, dos 1.100 m do rio Tek para os 1.850 m do Base, e cruza campos limpos, o ocasional capão de mata e algumas turfeiras.
Estas são áreas de vegetação herbácea bem particular que cresce sobre solo orgânico saturado de água. Estes são ambientes bem frágeis onde ocorrem plantas endêmicas como as Stegolepis guianensis e as carnívorasUtricularia humboldtii e Brocchinia reducta (sim, há bromélias carnívoras). Infelizmente as trilhas do parque não têm passarelas ou pontes e as turfeiras sofrem muito com o pisoteio.
Na parte final da caminhada, já alertados pelo Roraima estar coberto por nuvens, começou a chover e chegamos ao acampamento úmidos e cansados. O Base está no que já foi floresta, mas hoje está cercado por arbustos, samambaias e uma ou outra árvore, que se tornam mais densas em direção ao paredão do Roraima. Apesar disso, esquecemos o inconveniente da chuva e da caminhada, logo que chegamos, ao ver vários sabiás-de-cabeça-preta Turdus olivater que procuravam comida em meio às barracas. Essa é uma espécie dos Andes da Colombia e Venezuela que tem uma subespécie no Pantepui, única região onde ocorre no Brasil. Outras espécies mostram o mesmo padrão.
Nossa equipe de suporte havia se instalado fazia tempo em um barracão similar aos do Tek e foi muito eficiente em cuidar de nossas barracas e preparar um muito bem servido e muito bem vindo almoço. De nosso abrigo, os fotógrafos do grupo eram torturados ao ver aves interessantes nos ramos das árvores próximas sem poder sair por causa da chuva. Outros grupos, incluindo brasileiros, venezuelanos, russos e franceses usavam abrigos similares nos arredores.
Avistamentos
Figura-20Um anambé-de-whitelyi Pipreola whitelyi macho. Encontrar este endemismo dos tepuis foi um ponto alto da viagem.
"Ao tocar a gravação notamos um movimento nas árvores e logo todo o grupo vociferava expletivas e furiosamente tirava fotos de um espetacular casal de anambés-de-whitelyPipreola whitelyi, uma das espécies que mais desejávamos."
A chuva deu uma trégua no fim da tarde e pudemos ir atrás dos bichos. Rapidamente encontramos três endemismos dos tepuis, os simpáticos corruíra-do-tepui Troglodytes rufulus, tico-tico-do-tepui Atlapetes personatus e mariquita-de-cabeça-parda Myioborus castaneocapilla, que fizeram a todos esquecer a lama, as roupas molhadas e os joelhos doloridos.
Quando começou a escurecer ouvimos vozes periquíticas sobre nossas cabeças e logo detectamos bandos com dezenas de periquitos-dos-tepuis Nanopsittaca panychlora que chegavam da Gran Sabana para dormir em cavidades no paredão do Roraima, lá em cima. Os paniquetes partem todas as manhãs de uma altitude de pelo menos 2.500 m e vão procurar comida a 1.100-1.700 m, retornando à tarde. Veríamos seu trânsito todos os dias que passamos no Base.
Fomos dormir cansados, mas sorrindo de orelha a orelha.
De madrugada acordei com o estranhíssimo som feito por narcejões Gallinago undulata (ouça aqui) que voavam ao redor do acampamento. Logicamente lembrei do enredo em Up! e na possibilidade usar chocolate para atrair um Kevin.
Levantamos logo após clarear e antes do café da manhã fomos explorar os arredores do acampamento. Como na tarde anterior rapidamente encontramos um endemismo, a guaracava-dos-tepuis Elaenia dayi (sim, falta imaginação nesses nomes) e estávamos fotografando a dita quando ouvimos uma voz que pareceu familiar.
Ao tocar a gravação notamos um movimento nas árvores e logo todo o grupo vociferava expletivas e furiosamente tirava fotos de um espetacular casal de anambés-de-whitely Pipreola whitelyi, uma das espécies que mais desejávamos. A alegria foi complementada quando vimos nosso primeiro fura-flor-grande Diglossa major, outra especialidade que depois se mostrou uma das aves mais comuns.
Degustamos o café da manhã alegríssimos com o bom começo. Esse dia foi dedicado a observar aves entre o Base e o paredão do Roraima, uma caminhada de meros 2 km, se tanto, mas com inclinações de 75 graus em alguns pontos. Ou seja, bird-watching aeróbico com modelagem de pernas e glúteos.
O exercício valeu a pena. A floresta remanescente naquela área da base do Roraima tem poucas árvores de grande porte e muitos trechos que lembram as florestas nebulares da crista da Serra do Mar, e aves não pareciam muito abundantes. Mas aos poucos fomos registrando nossos alvos, alguns apenas ouvidos, como o torom-de-peito-pardo Myrmothera simplex, outros vistos, mas sem chance de fotos, como o flautista-do-tepuiMicrocerculus ustulatus, que faz jus ao nome e outras espécies que foram mais cooperativas e deram shows, como o joão-do-tepui Cranioleuca demissa, o alegrinho-de-garganta-branca Mecocerculus leucophrys, a choca-de-roraima Thamnophilus insignis, o barranqueiro-de-roraima Automolus roraimae, o asa-de-sabre-canelaCampylopterus hyperythrus, a saíra-de-cabeça-preta Tangara argentea e a patativa-da-amazônia Catamenia homochroa.
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Chegamos ao paredão do Roraima no meio da tarde. Ali, 400 m de rocha vertical te desafiam a escalá-los, e nossa prestativa equipe de suporte já nos esperava com o almoço pronto junto a uma cachoeira que nascia de dentro da rocha. Serviço 5 estrelas.
Após encher o tanque avançamos um pouco mais antes de decidir retornar e, exatamente onde havíamos almoçado, encontramos uma das espécies mais desejadas, um joão-de-roraima Roraimia adusta, o único gênero de ave restrito ao Pantepui. Este deu um show, intrigado com o play-back, e ainda atraiu várias outras aves que estavam próximas.
Chegamos ao Base no final da tarde, aproveitando o resto do dia para observar algumas espécies mais comuns, na maioria bichos da savana lá embaixo, que aparecem na área queimada ao redor do Base e eu aproveitei para tomar um bom banho noturno na cachoeira próxima. Nem preciso dizer que foi um bom dia.
Em 11 de fevereiro, saímos às 7:00 para subir os 4,5 km entre o Base e o topo do Roraima, um desnível de uns 900 m. Como eu disse há trechos com inclinação de 75 graus e a trilha, que não é mantida, em muitos trechos é uma voçoroca. Subimos cada um no seu ritmo, acompanhados pelos guias, enquanto a equipe de apoio disparava rumo a nosso próximo acampamento. O preparo físico desse pessoal é impressionante.
Sempre olhando o que voava ao longo da trilha fizemos algumas paradas para olhar e respirar, uma delas para degustar um ótimo abacaxi, cortesia da equipe de apoio. No caminho cruzamos com grupos de brasileiros, venezuelanos, poloneses e outros que desciam do alto da montanha, onde havia chovido impiedosamente desde o dia anterior. Alguns destes grupos que haviam optado por empresas mais baratas e pacotes de curta duração haviam subido no dia anterior e já retornavam. Não me pareceu que aproveitaram como podiam.
A trilha não segue um aclive constante, mas há uma forte descida em um trecho antes da subida que passa pelas Lágrimas, as cachoeiras que caem do alto do Roraima sobre a rampa final que dá no platô. As chuvas haviam transformado as Lágrimas em uma choradeira pior que a que seria vista se o Brasil for excluído da copa do mundo pela Argentina (eu não choraria, pelo contrário) e junto do riacho alimentado por elas encontramos nosso primeiro sapinho-do-roraima Oreophrynella quelchii, talvez arrastado pela água lá do alto. Já falarei sobre este bicho.
A montanha realmente nos torturou e ficamos totalmente encharcados pela inevitável passagem sob a cachoeira, o que esfriou um pouco a animação. Mas passando as Lágrimas e subindo a rampa final finalmente entramos em um ambiente totalmente diferente da floresta abaixo.
As intensas chuvas fazem com que haja pouco solo sobre o topo da montanha e este é dominado por afloramentos de rocha com muitas depressões onde a água se acumula. Embora o arenito seja rosado ou vermelho a superfície das rochas é negra, totalmente coberta por um biofilme de cianobactérias e outros microorganismos que interage com os padrões de erosão.
Sapinho endêmico
Figura-46O famoso sapinho-do-roraima Oreophrynella quelchii, um dos habitantes mais especiais da montanha.
"Ele não pula e não nada muito bem, mas também não precisa. Os ovos, colocados em abrigos sob as rochas, dão origem a sapinhos perfeitamente formados sem passar pela fase de girino"
 
Sob o olhar das rochas conhecidas como Guardiões e Pedra de Makunaima encontramos mais um sapinho-do-roraima e, sem as Lágrimas despencando sobre nós, pudemos observar o bichinho. É um sapinho minúsculo, com 2 cm, e totalmente negro exceto por manchas amareladas no ventre. Além de ser uma camuflagem, a cor é uma proteção contra os raios ultravioleta, intensos no alto de qualquer montanha.
Esse sapinho é encontrado apenas no topo do Monte Roraima e um tepui vizinho, o Wei Assipu, com pelo menos outras nove espécies vivendo em outros tepuis. O interessante é que estas mostram alta diversidade morfológica associada à baixa diversidade genética sugerindo que estavam em contato até recentemente (em termos evolutivos), uma indicação que habitats adequados para estes bichos existiam entre as montanhas durante o Pleistoceno. Uma pista destes podem ser as turfeiras que vimos no caminho até o Base, povoadas por plantas que reencontramos no topo do Roraima.
O. quelchii é uma das poucas espécies da herpetofauna que vive no hostil topo da montanha. Ele não pula e não nada muito bem, mas também não precisa. Os ovos, colocados em abrigos sob as rochas, dão origem a sapinhos perfeitamente formados sem passar pela fase de girino. A espécie que vive no Kukenan, ali ao lado (O. nigra), é muito social e dezenas de sapos podem ser encontrados juntos em um mesmo abrigo.
Alguns sugeriram que os Oreophrynella fossem parentes mais próximos de alguns sapos africanos que compartilham as mesmas características, membros de uma linhagem anterior à abertura do Atlântico, mas estudos genéticos e morfológicos mostram que isso é uma ilusão causada por evolução convergente.
Plantas carnívoras
Figura-30A última coisa que muitos insetos vêem: plantas carnívoras do gênero Heliamphora.
"As Heliamphora evoluíram como armadilhas vivas que capturam insetos atraídos para suas folhas, transformadas em poços da morte."
 
Outra das descobertas nesse trecho da caminhada foram as únicas populações de uma planta carnívora do gênero Heliamphora que encontramos. Existem 5 espécies deste gênero no Roraima e uma é endêmica da montanha, mas a julgar pela experiência dos dias seguintes todas se tornaram muito raras pois não as vimos de novo.
As Heliamphora evoluíram como armadilhas vivas que capturam insetos atraídos para suas folhas, transformadas em poços da morte. Os insetos fornecem nutrientes como fósforo que são muito escassos no pouco de solo que há no Roraima. Clique aqui para ver como isso funciona, com narração de Sir David Attenborough, lá no Roraima.
Além das Heliamphora há outros 5 gêneros de plantas carnívoras que vivem no alto do Roraima e nas turfeiras da Gran Sabana. Alguns gêneros como Utricularia têm espécies diferentes no alto da montanha e lá embaixo. E, como seria de se esperar, há gêneros com espécies diferentes no alto de cada tepui.
A planta carnívora mais evidente no alto do Roraima é a Drosera roraimae e esses predadores vermelhos são abundantes onde quer que haja algum substrato para que se fixem, formando um verdadeiro campo minado para os insetos.
Figura-30aDrosera roraimae é a planta carnívora mais comum no Monte Roraima. Foto: Rita Souza
Paisagens
"Durante a caminhada era difícil escolher qual formação de rochas era mais interessante e você quase acredita nas histórias de que as pedras mudam de posição durante a noite."
 
Chegar no platô do Monte Roraima é entrar em uma paisagem surreal como uma pintura de Dali e tão difícil de acreditar quanto as desculpas de um político condenado no Mensalão. A paisagem é alienígena, com rochas erodidas em formatos impossíveis. Em meio à garoa que parava e recomeçava caminhamos rumo à Praça Principal, onde há vários dos abrigos sob rocha chamados de hotéis. Nossa equipe já estava no nosso, o Principal, organizando as barracas e o almoço quando chegamos às 13:00.
As primeiras aves que vimos no topo da montanha foram vários tico-ticos Zonotrichia capensis da subespécie macconnelli, endêmica do Roraima. Muito mansos, exploravam o acampamento em busca de migalhas. Também vimos um fura-flor mas, no geral, o topo da montanha é pobre em aves.
Logo as nuvens cobriram o platô e choveu durante boa parte da tarde. Aproveitamos para descansar mas, com a chuva dando uma brecha no final da tarde, enfrentamos a neblina e o vento muito forte para subir o Maverick e ver o Kukenan e o paredão do Roraima sob a última luz do dia.
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