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domingo, setembro 28, 2014

Ninguém aplaude essa mulher no palco porque todos estão assustados demais para isso

http://awebic.com/cultura/ninguem-aplaude-essa-mulher-palco-porque-todos-estao-assustados-demais-para-isso/


Ninguém aplaude essa mulher no palco porque todos estão assustados demais para isso

Este é um vídeo fascinante.
Tanto pela maneira como foi produzido (e conduzido) quanto pela reação da plateia com as informações que eram passadas.
Todos ficaram assustados. Eu também ficaria.
Veja o vídeo a seguir e depois me diga se você já foi enganado por uma dessas técnicas. Preste atenção nas expressões das pessoas que estão vendo a palestra.
Aperte o play e assista. Lembre-se de ativar as legendas em português caso não entenda inglês.
Impactante, não é? Mostra verdades duras como as daquele vídeo sobre o uso consciente de redes sociais.
De fato, nada torna a agricultura industrializada aceitável. Para quem quer mais informações, recomendo a vista ao site da organização que luta para combater essa questão.

quinta-feira, maio 15, 2014

A silenciosa decadência dos shopping-centers

op
http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=17389


A silenciosa decadência dos shopping-centers

Shoppings abandonados inspirara m otrabalho fotográfico do artista Seph Lawless
Shoppings abandonados inspiraram otrabalho fotográfico do artista Seph Lawless
Sem alarde, um símbolo do capitalismo e da privatização do espaço urbano declina — nos EUA, onde apareceu, e também no Brasil
Por Roberto Amado, no DCM
Um dos maiores ícones do capitalismo está em decadência. A época do apogeu dos shopping centers já passou e há sinais eloquentes de que esse modelo de negócio está acabando — assim como o consumismo excessivo.
Nos Estados Unidos, onde eles foram inventados, cerca de 15% no shoppings vão falir ou serão transformados em outros espaços comerciais nos próximos dez anos, segundo a Green Street Advisors, empresa americana ligada a empreendimentos comerciais. Outra empresa do ramo, a CoStar Group, calcula que, em média, 35% dos espaços das lojas dos shoppings americanos estão ociosos.
Essa situação inspirou um trabalho fotográfico do artista Seph Lawless sobre os shoppings abandonados nos EUA (sephlawless.com/black-friday-2014) e algumas reflexões bombásticas. “Dentro de 15 anos, os shoppings americanos estarão completamente anacrônicos, uma aberração que durou sessenta anos mas que deixou de atender às necessidades do públicos e das comunidades”, disse Rick Caruso durante a convenção anual da Federação Nacional de Varejistas dos EUA— ele é o dono da Caruso Affiliated uma das maiores empresas a operar negócios imobiliárias no setor de varejo.
É verdade que o boom dos shoppings ainda se manifesta em países como a China e a Índia. E até mesmo no Brasil há crescimento: segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), existem 500 shoppings no País e, até o fim do ano, serão 530. Mas não há otimismo no setor. Segundo o informativo setorial de shopping centers do Ibope Inteligência, “a taxa média de vacância nos 36 shoppings inaugurados no ano passado foi de 50%, ou seja, de cada duas lojas uma estava fechada por falta de locatário.
O cenário é ainda mais assustador entre os shoppings inaugurados no segundo semestre. A taxa média de ocupação em 21 shoppings inaugurados a partir de setembro foi de apenas 38%; alguns shoppings inaugurados no último trimestre do ano tiveram taxas de ocupação inferiores a 20%”.
Esse início de crise tem inspirado reflexões sobre o modelo de negócio até de quem depende dele — como, por exemplo, a cadeia de lojas Gap, dos Estados Unidos. “Nós já estamos assumindo a decadência dos shoppings. É um modelo de negócio que funcionou durante um curto espaço de tempo”, disse Glenn Murphy, o CEO da Gap, em recente entrevista, referindo-se aos aspectos negativos dos shoppings — estacionamentos lotados, preços e custos elevados, ambiente fechado e concentração de pessoas em áreas reduzidas.
Murphy alerta para uma tendência irreversível: o aumento significativo das compras online. No último trimestre o ano passado, atingiu 6% do total gasto em varejo, praticamente dobrando em relação ao mesmo período de 2006.
Mas essa é apenas a superfície da questão. A verdade é que, desde a crise financeira de 2008, o varejo nos Estados Unidos tem perdido força progressivamente, ao mesmo tempo em que começam a surgir movimentos, reflexões e pensadores que combatem o consumismo excessivo que tem caracterizado a última década. “O modelo consumista atingiu seu limite e se tornou uma atividade preocupada apenas com resultados imediatos, produzindo um estupidez sistemática que impede uma visão em longo prazo”, diz o filósofo francês Bernard Stiegler, autor do livro “Uma Nova Crítica à Política Econômica”.
Esse discurso tem sido sustentado por algumas facções e grupos dedicados à questão do aquecimento global, referindo-se aos recursos naturais finitos e a necessidade de transformação da sociedade de consumo. Ou como diz Amitai Etzioni, professor de política internacional da Universidade George Washington: “O consumo excessivo, que nos leva a comprar casas maiores, carros mais caros, roupas mais transadas e tecnologias mais fascinantes prometem felicidade, mas nunca entregam. Apenas provocam o desejo de mais, sempre mais. E aos poucos começa a roubar sua vida e consumir nossos recursos limitados”.

segunda-feira, março 03, 2014

Uso de sacolas plásticas está ameaçado na Califórnia (EUA)

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/528792-uso-de-sacolas-plasticas-esta-ameacado-na-california-eua


Uso de sacolas plásticas está ameaçado na Califórnia (EUA)

Em um recente dia chuvoso, Esha Moya se viu do lado de fora de uma mercearia localizada na zona sul de Los Angelescom meia dúzia de sacolas de papel se desmanchando na chuva e desejando ter nas mãos alguns dos pequenos itens que durante sua vida inteira foram gratuitos e abundantes, mas que agora estão proibidos nesta cidade: as sacolas plásticas.
A reportagem é de Ian Lovett, publicada no jornal The New York Times e reproduzida pelo Portal Uol, 27-02-2014.
"Eu odeio isso", disse Moya, operadora de telemarketing e mãe de dois filhos. Ela começou a armazenar sacolas plásticas em casa porque as sacolas de papel "estão sempre rasgando", disse ela. "É idiota e elas dificultam muito a nossa vida".
Companheiras dos consumidores durante meio século, atualmente as sacolas plásticas estão correndo perigo de desaparecer da Califórnia, onde um número crescente de políticos passou a considerá-las como um símbolo do desperdício ambiental.
Desde 2007, as sacolas plásticas foram proibidas em quase 100 municípios do estado, incluindo a cidade de Los Angeles, que no início deste ano se tornou a maior cidade dos Estados Unidos a adotar a proibição. As sacolas de papel, que são biodegradáveis e mais fáceis de reciclar, muitas vezes são disponibilizadas após o pagamento de uma pequena taxa.
Mas agora os parlamentares de Sacramento estão tentando transformar a Califórnia no primeiro estado norte-americano a aprovar uma proibição generalizada para essa embalagem ubíqua.
"Cada vez mais, têm ficado mais claros para o público os danos ambientais causados pelas sacolas plásticasproduzidas para serem utilizadas apenas uma vez", disse Alex Padilla, senador estadual que está patrocinando a legislação referente à proibição das sacolas plásticas em todo o estado da Califórnia. "Esse é o início da eliminação das sacolas plásticas de uso único – e ponto final".
A medida de Padilla proibiria as tradicionais sacolas plásticas descartáveis (ou de uso único) em supermercados, lojas de bebidas e outros locais onde elas marcaram presença durante muito tempo. Sacolas de papel e sacolas reutilizáveis mais robustas seriam disponibilizadas por uma taxa de US$ 0,10 com o objetivo de obrigar os consumidores a se lembrarem de trazer suas sacolas de lona de casa.
O argumento contra as sacolas plásticas é simples e – após mais de 150 comunidades dos Estados Unidos terem adotado algum tipo de lei contra elas – cada vez mais familiar. As sacolas plásticas são usadas uma ou duas vezes, mas podem durar até mil anos depois de descartadas.
Apenas uma pequena fração das sacolas plásticas é reciclada, em grande parte porque elas entopem as máquinas de triagem das usinas de reciclagem e, por isso, precisam ser separadas dos outros tipos de plástico. Muitas sacolas acabam presas a árvores ou em bueiros ou vão parar em aterros sanitários.
Foto: Portal Uol
Nos últimos anos, as proibições locais ao uso de sacolas plásticas se espalharam de São Francisco e Honolulu atéNorth Shore, em MassachusettsWashington, capital dos EUA, impôs uma taxa de US$ 0,05 e a cidade de Nova York considerou várias vezes cobrar pelas sacolas – a última vez, no ano passado, quando a proposta foi ignorada no final do período legislativo da cidade. O novo prefeito de Nova York, Bill de Blasio, manifestou apoio à proibição das sacolas plásticas.

A estudante Larissa Campos, 16, é a favor do fim da distribuição das sacolas nos supermercados. Nesta quarta (4), ela comprou uma sacola reutilizável. "Sou a favor da medida porque devemos poluir menos o planeta. Quero que meus filhos vivam num mundo melhor." 
Muitos consumidores se assustam com a ideia de ter que pagar por um produto que sempre foi gratuito. "Nós já estamos enfrentando dificuldades", disse Moya enquanto esperava na chuva por um táxi com suas sacolas de papel parcialmente desintegradas nas mãos, compradas por US$ 0,10 cada. "Os produtos que eu compro no supermercado já custam bastante dinheiro. E eu ainda tenho que pagar pelas sacolas?".
Os fabricantes de plásticos têm trabalhado arduamente para reduzir essa frustração. Até agora, o setor – que já gastou milhões de dólares para fazer lobby com os parlamentares – conseguiu derrotar os esforços destinados a aprovar proibições estaduais na Califórnia e em um punhado de outros estados norte-americanos.
Hilex Poly, uma das maiores fabricantes de sacolas plásticas do país, gastou sozinha mais de US$ 1 milhão para fazer lobby contra um projeto de lei que tinha como objetivo proibir as sacolas plásticas na Califórnia em 2010. Esse projeto fracassou, assim como outra tentativa feita em 2013.
Hilex Poly, sediada em Hartsville, no sul da Califórnia, fez doações políticas para todos os democratas do senado da Califórnia que se uniram aos republicanos na votação contra o projeto de lei do ano passado.
Mark Daniels, vice-presidente da Hilex Poly, disse que a proibição custaria ao Estado cerca de dois mil postos de trabalho.
"Isso vai custar aos californianos milhões e milhões de dólares", disse Daniels sobre a legislação vigente. "Eles vão ter que comprar milhões de sacolas supostamente reutilizáveis da China".
Mas o apoio à proibição vem crescendo constantemente no legislativo da Califórnia. Na quinta-feira passada, o jornal Los Angeles Times endossou a adoção de uma proibição estadual, e vários senadores que votaram contra a proibição no ano passado saíram em seu apoio agora.
Alguns ambientalistas dizem acreditar que agora é o momento certo para fazer pressão pela aprovação de proibições em todo o país, a começar pela Califórnia.
"Essa proibição é muito eficaz e ela também trará um bom custo-benefício", disse Kerrie Romanow, diretora de serviços ambientais de San Jose, na Califórnia.
Desde que a proibição às sacolas entrou em vigor em San Jose, em 2012, as sacolas plásticas jogadas no lixo --e que vão parar em bueiros durante tempestades, podendo contribuir para provocar inundações --diminuíram 89%. Em algumas partes do condado de Los Angeles, grandes lojas de varejo informaram uma queda no uso de sacolas de papel desde que a adoção de uma proibição semelhante, aliada a uma taxa de US$ 0,10 cobrada pelas sacolas de papel, entrou em vigor.
"As pessoas estão se adaptando muito rapidamente", disse Romanow. "Os dias em que os consumidores compravam uma única barra de chocolate e recebiam uma sacola plástica acabaram".
Abbi Waxman, que trabalha como roteirista de TV em Los Angeles, disse que tentou durante anos parar de usar as sacolas plásticas. Mas, apesar dos olhares de enviesados dos caixas de supermercado, ela raramente se lembrava de trazer suas sacolas de pano de casa.
"A mudança real só ocorreu quando eles começaram a me cobrar pelas sacolas de plástico. Foi aí que eu realmente passei a me lembrar de trazer as minhas sacolas de casa", disse Waxman, 43, que dia desses podia ser vista com meia dúzia de sacolas reutilizáveis na mão em um supermercado.
"Sem brincadeira: eu tenho cerca de 40 sacolas reutilizáveis em casa, pois eu me sinto tão culpada quando vou fazer compras sem elas que eu compro mais uma a cada vez que vou ao mercado", disse ela.
Daniels, vice-presidente da Hilex Poly, disse que as sacolas plásticas foram tachadas injustamente de bode expiatório para uma variedade de males ambientais. Segundo ele, as sacolas plásticas finas são reutilizadas – elas são usadas como sacolas para carregar alimentos e sevem de forro para latas de lixo, além de serem muito úteis na hora de coletar as fezes dos animais de estimação. Mas outros fabricantes de produtos plásticos começaram a abraçar as mudanças em seu setor.
"O setor será destruído se não se mostrar disposto a evoluir e mudar", disse Pete Grande, presidente da Command Packaging de Vernon, na Califórnia, que está começando a produzir sacolas mais resistentes e reutilizáveis a partir de plástico agrícola reciclado.
No ano passado, Grande se opôs ao projeto de lei para proibir as sacolas plásticas descartáveis na Califórnia. O mesmo fizeram os dois democratas que representam Vernon no senado estadual.
Este ano, todos eles apoiam o projeto de lei que permitirá que as lojas ofereçam sacolas plásticas mais duráveis, além de sacolas de papel, por uma pequena taxa quando os consumidores passarem pela fila do caixa.
"Nós vivemos durante milhares de anos sem sacolas plásticas descartáveis", disse Padilla, patrocinador do projeto. "Eu acredito que nós vamos ficar bem sem elas".

terça-feira, dezembro 03, 2013

Crônicas do Consumismo, à entrada de dezembro

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Crônicas do Consumismo, à entrada de dezembro

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Publicidade ensina crianças a acariciar… o plástico. Jornais anunciam skates de mogno. E se “Admirável Mundo Novo” já não for ficção?
Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho
A culpa cumpre um papel. É o que distingue o resto da população dos psicopatas. Trata-se do sentimento que você tem quando é capaz de sentir empatia. Mas a culpa inibe o consumo. Para sufocá-la, surgiu uma indústria global que usa celebridades, personagens de desenhos animados e música de elevador. Ela procura nos convencer a não ver e a não sentir. Parece funcionar.
Os resultados da pesquisa Greendex 2012 (“Consumers Choice and the Environment”, ou “As Opções dos Consumidores e o Meio-ambinte”) mostram que nos países mais pobres as pessoas sentem-se, em geral, mais culpadas com relação aos impactos causados na natureza do que as populações dos países ricos. Os países onde as pessoas sentem menos culpa são Alemanha, Estados Unidos, Austrália e Grã-Bretanha, nessa ordem – enquanto Índia, China, México e Brasil são os países onde as pessoas estão mais preocupadas. Nossa culpa, revela o estudo, acontece na proporção inversa ao tamanho dos danos causados pelo consumo. Isso é o contrário do que nos dizem milhares de editoriais da imprensa corporativa: que as pessoas não podem dar-se ao luxo de cuidar da natureza até que se tornem ricas. As evidências sugerem que deixamos de cuidar justamente quando nos tornamos ricos.
“Consumidores em países como México, Brasil, China e Índia”, diz o estudo, “tendem a ser mais preocupados com as questões das mudanças climáticas, poluição do ar e da água, desaparecimento de espécies e escassez de água doce … Por outro lado, a economia e os custos de energia e combustível suscitam a maior preocupação entre os consumidores norte-americanos, franceses e britânicos.” Quanto mais dinheiro se tem, mais importante ele se torna. Meu palpite é que nos países mais pobres a empatia não foi tão entorpecida por décadas de consumo irracional.
Assista ao mais recente anúncio da Toys R Us nos EUA. Um homem vestido como guarda florestal arrebanha crianças em um ônibus verde em que se lê “Encontre a Fundação Árvores”. “Hoje nós estamos levando as crianças à viagem de campo que mais poderiam desejar”, diz o guarda dirigindo-se a nós. “E eles nem sabem disso.”
No ônibus ele começa a ensiná-las, mal, sobre as folhas. As crianças bocejam e se mexem nos bancos. De repente, ele anuncia: “Mas nós não estamos indo à floresta hoje …” Ele tira a camisa de guarda florestal. “Estamos indo para a Toys R Us, pessoal!” As crianças ficam alucinadas. “Vamos brincar com todos os brinquedos, e vocês podem escolher o brinquedo que quiserem!” As crianças correm, em câmera lenta, pelos corredores da loja, e quase desmaiam enquanto acariciam os brinquedos.
A natureza é um tédio, já o plástico é emocionante. Crianças que vivem no centro da cidade e que levei a um bosque, semanas atrás, contariam uma história diferente; mas a mensagem, martelada com suficiente frequência, acaba por tornar-se verdadeira.
O Natal permite que a indústria global de besteiras recrute os valores com os quais muitos de nós gostaríamos que a data estivesse associada – o amor, a vivacidade, uma comunidade espiritual –, com o único objetivo de vender coisas de que ninguém necessita ou mesmo deseja. Infelizmente, como todos os jornais, The Guardian participa dessa orgia. A revista de sábado trazia o que parecia ser uma lista de compras para os últimos dias do Império Romano. Há um relógio cuco inteligente para os que têm familiares estúpidos o suficiente, uma chaleira operada remotamente, um distribuidor de sabão líquido por 55 libras [R$ 210]; um skate de mogno (vergonhosamente, a origem da madeira não é mencionada nem pelo Guardian, nem pelo varejista), um “pino pappardelle de rolamento”, seja lá que diabo for isso, bugigangas de chocolate a 25 libras [R$ 96], uma caixa de… barbante de jardim (!) por 16 libras [R$ 61].
Estaremos tão entediados, tão carentes de afeto, que precisamos ganhar essas porcarias para acender uma última centelha de satisfação hedonista? Terão as pessoas se tornado tão imunes ao sentimento de irmandade a ponto de se prontificarem a gastar 46 libras [R$ 177] num pacote de petiscos para cães ou 6,50 libras [R$ 20] em incríveis biscoitos personalizados, em vez de dar o dinheiro a uma causa melhor? Ou isso é o potlatch do mundo ocidental, no qual gastam-se quantias ridículas em presentes ostensivamente inúteis, para melhorar nosso status social? Se assim for, devemos ter esquecido que aqueles que se deixam impressionar por dinheiro não merecem ser impressionados.
Para atender a essa forma peculiar de doença mental, devemos retalhar a Terra, abrir grandes buracos na superfície do planeta, ocupar-se fugazmente com os produtos da destruição e então despejar os materiais em outros buracos. Relatório da Fundação Gaiarevela um crescimento explosivo no ritmo da mineração: a produção de cobalto aumentou 165% em 10 anos, a doo minério de ferro em 180% e, entre 2010 e 2011, houve um aumento de 50% na exploração de metais não-ferrosos.
Os produtos dessa destruição estão em tudo: eletroeletrônicos, plásticos, cerâmicas, tintas, corantes, a embalagem em que nossas besteiras vão chegar. À medida que os depósitos mais ricos se esgotam, cada vez mais terra deve ser rasgada para manter a produção. Mesmo os materiais mais preciosos e destrutivos são sucateados quando um novo nível de dopamina torna-se necessário: o governo do Reino Unido informa que uma tonelada de ouro, embutido em equipamentos eletrônicos, é depositada nos aterros a cada ano, neste país.
Em agosto, uma briga das mais instrutivas inflamou o Partido Conservador. O ministro do Meio Ambiente, Lord de Mauley, pediu às pessoas para consertar suas engenhocas em vez de atirá-las no lixo. Isso era necessário, argumentou, para reduzir a quantidade de aterros, seguindo as diretrizes da política europeia de resíduos. Para o The Telegraph, “as propostas poderiam alarmar as empresas que lutam para aumentar a demanda por seus produtos.” O parlamentar do Partido Conservador Douglas Carswell bradou: “desde quando precisamos do governo para nos dizer o que fazer com torradeiras quebradas?”…
Para ele, o programa de recuperação econômica do governo depende de consumo incessante: se as pessoas começarem a consertar as coisas, o esquema entra em colapso; skates de mogno e chaleiras wifi são respostas necessárias a um mercado saturado; o deus de ferro do crescimento, ao qual nos devemos curvar, demanda que gastemos o mundo dos vivos até o esquecimento fim dos tempos.
“‘Mas roupas velhas são estupidez’, continuou o sussurro incansável. ‘Nós sempre jogamos fora as roupas velhas. Descartar é melhor que consertar, descartar é melhor que consertar.’” O Admirável Mundo Novo parece menos fantástico, a cada ano.